A Fundação Mestre Casais promoveu, em Braga, mais uma edição do FMC Talks, reafirmando este ciclo de encontros como um espaço de reflexão e debate sobre temas estruturantes para o desenvolvimento das regiões e do país.
A sessão contou com a participação de Álvaro Santos, Presidente da CCDR NORTE, que trouxe uma análise abrangente sobre a evolução recente da Região Norte, bem como sobre os principais desafios que se colocam à formulação e implementação de políticas públicas num contexto de crescente complexidade económica e institucional.
Ao longo da sua intervenção, o orador destacou que o Norte tem vindo a consolidar uma trajetória de convergência com a União Europeia, atingindo cerca de 70,8% da média europeia em PIB per capita, embora ainda abaixo da média nacional. Esta evolução tem sido acompanhada por um desempenho positivo do mercado de trabalho, com a criação de mais de 335 mil empregos na última década e níveis historicamente elevados de emprego.
Foi igualmente sublinhado o papel do Norte como principal região exportadora do país, representando cerca de 33% das exportações nacionais, num contexto de transformação da sua base económica, com uma progressiva transição para setores industriais de maior valor acrescentado.
Neste enquadramento, persistem desafios estruturais relevantes, nomeadamente ao nível da produtividade e da inovação. A região integra atualmente o grupo dos “inovadores moderados” no contexto europeu, evidenciando a necessidade de reforçar a ligação entre empresas, universidades e centros tecnológicos, bem como de transformar conhecimento em valor económico.
A sessão destacou ainda a importância da cooperação territorial e institucional, incluindo as dinâmicas de articulação transfronteiriça, como fator-chave para ganhar escala, reforçar a competitividade e potenciar o desenvolvimento equilibrado do território.
No domínio das políticas públicas, o NORTE 2030 foi apresentado como um instrumento central para apoiar a transição económica e social da região, mobilizando cerca de 3,4 mil milhões de euros para áreas estratégicas como a inovação, a qualificação, a sustentabilidade e a coesão territorial. Foi igualmente sublinhada a importância de garantir que o investimento se traduz em impacto efetivo, através de maior focalização, simplificação e capacidade de execução.
A reflexão estendeu-se ainda ao próximo período de programação europeia, onde se antecipam mudanças relevantes ao nível das prioridades e dos modelos de governação, exigindo uma adaptação contínua por parte das regiões.
Com mais esta edição, o FMC Talks continua a afirmar-se como uma plataforma de partilha de conhecimento e de promoção do debate informado, contribuindo para uma melhor compreensão dos desafios e oportunidades que marcam o desenvolvimento regional em Portugal.
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